
Deito-me no teu corpo
como se fosses a minha última cama
no meu quarto de hóspede dos dias.
Deito-me e velo
a criança lúcida
que dorme reclinada
na orla marítima do silêncio.
Ali onde o tempo
se anula e renova
na substância palpável
dum gesto ou dum olhar
colhidos sobre a água
construo a minha casa,
habito o espaço inteiro
disponível para a vida,
necessário para a morte.
(De in «Frágeis São As Palavras»,
Antologia Pessoal, com um
retaro do autor por Jorge Pinheiro,
Colecção Pequeno Formato,
Edições ASA, Julho, 2004)
Albano Martins
(1930)
1 comentário:
Olá meu amigo, estou em semi-regresso à blogosfera. Passei só para deixar um abraço.
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